• BláBláBlá, BláBláBlá, BláBláBlá

    by  • April 20, 2016 • Pessoal

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    Tenho comprado menos livros de culinária. O meu gosto foi afunilando e a necessidade de ter qualquer coisa mais específica eliminou parte da minha (a maior!) vontade de ter a secção de culinária de todas as livrarias em nossa casa.

    Ontem, enquanto esperava por uma consulta, fui espreitar as novidades. Todos os destaques incluíam as palavras saudável, ou dieta, ou qualquer coisa parecida no título. Peguei no último de Jamie Oliver e folheei-o. Tenho uma série de títulos deste autor e já cozinhei muitas das suas receitas. E hoje, mesmo sendo outra cozinheira que não a miúda deslumbrada por todos os ingredientes desconhecidos na altura, continuo a gostar dele, da sua comida colorida e fresca, cheia de sabor! Deixei de comprar os livros, porque me pareciam sempre mais do mesmo e eu já tinha bastantes.
    O livro é bonito e cuidado. Melhor, deu-me vontade de experimentar várias receitas, sobretudo os pequenos-almoços. Tirei uma fotografia à capa e deixei a pergunta no Instagram “Quem tem? O que acham?” E as respostas iam ao encontro da mesma sensação que eu tivera.
    Fiquei a pensar em todo o frenesim que se gerou em torno da comida e do saudável e do vegan e do paleo e de todas e mais algumas formas de dieta que estouram como bolhas de ar todos os dias. Eu acho óptimo, não me levem a mal! Pessoas a querer melhorar a sua alimentação, a querer saber mais, a procurar respostas. Não acredito na maior parte do que leio, nem em dietas tão restritivas como a paleo (será assim o nome completo?); nem percebo muito bem o sem número de suplementos que tanta gente começou a tomar. Para além disso, a fronteira entre fanatismo e alimentação saudável é muito ténue, quase inexistente para algumas pessoas que expressam, revoltadas, a sua opinião. Alguém quer saber? Não sei. E acho que elas também não.
    Comer é um acto social para mim. É um prazer, uma demonstração de amor profundo por alguém que partilha a mesa e a conversa connosco. Acho que não conseguiria o mesmo a beber só sumos verdes…mas isso sou eu. E aqui é que tudo vem ter. Optei por uma alimentação saudável, dita mediterrânica, que para mim funciona. Sinto-me feliz, como de forma equilibrada, sem prescindir do sabor. Como o que está mais perto de mim, sempre que possível biológico, pelo menos português. Essa é a minha escolha todos os dias, sobretudo desde que os malabaristas comem à mesa connosco. 
    Como glúten e carne e peixe e legumes e fruta. Poucas leguminosas, por vezes flores. Esta é a regra cá em casa; quando sinto vontade a sério, ou festejo com alguém que me é querido, como bolo ou o que me apetecer. Essa é a excepção. É assim que funciona comigo, com o meu corpo. É assim que me sinto sempre feliz quando como. E é assim que continuará a ser. Quem se sentir feliz de outra forma, por favor viva com isso, respeitando a felicidade do outro ao lado. Sem atacar, insultar. E comam qualquer coisa: pode ser falta de açúcar, essa irritabilidade constante.
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