• Imaterialidade da escrita

    by  • February 10, 2017 • Pessoal

    Tenho escrito muito nos últimos tempos, mas nada materializado, nada que se consiga ver. Escrevo, sobretudo, durante as horas que passo a conduzir: casa-trabalho-trabalho-creche-casa. Teço inúmeras reflexões, traço objectivos, elaboro imensas listas. E faço comentários a partilhas no facebook e partilho coisas que vou ouvindo, opino! Tudo sem escrever uma única letra.

    Não é que não queira…só quero outras coisas muito mais que isso. E esses quereres acabam por deixar tudo em banho-maria, como um eterno chocolate derretido, ansiando materializar-se.

    Tenho feito workshops? Tenho, sim. Continuo a fazer entregas? Continuo, sim. A diferença é que tenho tido tanto trabalho proposto, que não consigo propor. Nem escrever. Nem quase mais nada, que não seja o que tenho feito. Trabalhar, desligar, voltar ao início. E ir atrasando uma série de tarefas que vão ficando por cumprir, porque decidimos, em família, que desligar é fundamental.

    Tenho, até!, algum medo de dizer que a partir de agora, as coisas vão melhorar, porque já o escrevi várias vezes na minha cabeça e depois aconteceu outra coisa, que se sobrepôs a outra coisa e outra e outra. Tenho 2 anos de atrasos às costas. E pesam-me cada vez mais.

    Mas vão. Vejo, agora, na minha agenda, nascerem espaços em branco que vou preenchendo com atrasos. E, depois, com datas de workshops. As destes mês já estão ocupadas, mas Março já espreita e eu pisco-lho o olho na esperança de conseguir cumprir um dever.

    Respirar fundo. Recomeçar. *