• Isto do açúcar e do sal nas escolas…

    by  • September 7, 2016 • Forking malabaristas, Pessoal

     

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    Ontem o Pedro chegou a casa e comentou que tinha visto, ou ouvido falar, que a alimentação nas escolas tinha sido capa de jornal. Eu não tinha visto, não sabia, mas tinha lido um comentário da Isabel no facebook que remetia para uma crónica sobre o assunto.

    Toda a gente que me lê, ou conhece, sabe que me interesso sobre a alimentação. Gosto de experimentar ingredientes, conhecer novas texturas e sabores. Mas, desde que tive os meus malabaristas-zaragateiros, comecei a ter ainda mais cuidado com as escolhas que faço para casa. Não mudou muita coisa, mas sinto-me alerta para alguns assuntos que antes disso me passavam ao lado, acenavam e continuavam.

    No dia 1 de Setembro, os meus miúdos foram pela primeira vez à escola. Para já, está tudo bem: sinto que estão felizes e isso é o mais importante para nós, os pais. Chegam lá pelas 9h e vou buscá-los pelas 15h30, 16h30 no máximo, o que nos dá tempo para brincar e ler um ou dois livros com eles de manhã e aproveitar o resto da tarde por casa, ou a fazer alguma tarefa comigo. Esta é a nossa rotina. O pai trabalha, a mãe trabalha, os catraios brincam muito. Estava tudo muito bem, muito bonito até eu ver a ementa da creche: douradinhos, rissóis e batatas fritas. “Como assim, batatas fritas?”. Disseram-me que era pontual, que podia pedir dieta nesses dias. Na semana seguinte, num dos dias massa de marisco, noutro arroz de tomate com rissóis. Alto lá e pára o baile: “Outra vez? Os miúdos estão numa sala em que servem a fruta passada (os meus já comem inteira há muito, mas ok…não vou fazer dramas.), mas podem comer fritos?…”. Alguma coisa não bate certo…Não quero ser a “lá vem aquela mãe chata com a mania que os filhos não podem comer doces e fritos”, mas prefiro esse rótulo a ver os meus miúdos comerem coisas que os prejudiquem. E a palavra é mesmo essa: nesse primeiro e único dia em que comeram batatas fritas sem eu saber, beberam mais água que na vida deles toda e acordaram a pedir água também. Para além disso, alterou o funcionamento do intestino de um deles. E não se trata de pedir o prato de dieta para os meus filhos, mas sim de tentar mudar a ementa de todos: eu levo iogurtes naturais não açucarados, porque os que servem são de aromas; proíbo o doce como sobremesa, a fatia de bolo no dia aniversário ou a bolacha Maria. Um dia vão comer tudo isso, eventualmente, mas não agora, porque não lhes faz falta. Ponto final.

    Querem proibir a venda de doces e de produtos com excesso de sal nas escolas e hospitais? Claro que concordo!, mas estou de acordo com a Isabel e com tantas outras pessoas que defendem que a educação deve partir de casa, do exemplo com que crescem. Temos de ir mudando a ideia de “não tenho dinheiro para comer saudável”, ou “fica mais barato ir comer ao McDonalds. Porque é mentira. Não fica. Nem fica mais barato comer frequentemente comida pré-feita, congelada, ou beber sumos, nem que sejam de marca branca, porque, na verdade, é mais barato comprar uma peça de fruta. Não temos dinheiro para comprar frutas diferentes? Compramos maçãs, pêras, laranjas, sempre que possível, de época, que é quando são mais baratas e melhores. Tão simples quanto isto. E bebemos água e comemos pão. E crescemos com a ideia de que a fatia do bolo está guardada para os dias de festa.

    As crianças não vão crescer infelizes e disto tenho a certeza, porque tenho dois sorrisos maravilhosos em casa, a quem vou tentar ensinar a experimentar todos os sabores que puder, da melhor forma que souber. E, para já, ainda consigo ir com eles para todo lado sem a marmita atrás de mim. E isso, meus amigos, é maravilhoso!❤️