• Por aqui, é isto que comem! ;)

    by  • April 17, 2016 • Forking malabaristas, receita

    Comecei a escrever este texto antes dos meus zaragateiros comemorarem um ano de vida. Nunca mais me lembrei dele, até hoje. Fica o que estava estreia e o que escrevi agora, passada essa fronteira maravilhosa dos 12 meses. ☺️

    Com os miúdos quase a fazer um ano, tenho pensado nas comidas que marcaram a minha infância. Todas me sabem a gente, a memórias de momentos que, por vezes, parecem ainda estar a acontecer. 

    Vivi a maior parte da minha vida em Gaia, mas sinto-me mais da Senhora da Hora, onde passei os primeiros cinco anos. Vejo com nitidez ruas, casas e pessoas que já não existem. Sinto-me a fazer alguns dos caminhos, recordo os sorrisos, os “bons dias!” dados a chegar à padaria, à mercearia, a casa da Candidinha que vendia roupa. Nada disso desapareceu. Ninguém desapareceu. 
    Não me lembro da minha avó fazer bolos. Na verdade, nem sequer me lembro dela a cozinhar no forno. Do fogão saia um arroz maravilhoso, acastanhado, uma sopa muito cremosa (“leva alface!”), canja de galinha com massinhas de letras (que não como há anos!), batatas fritas estaladiças, entre tantas outras coisas. Quando mais crescida, ouvia quase diariamente “O que é que te apetece comer hoje?”- haverá melhor pergunta que uma criança queira ouvir? 
    Da padaria chegavam pães, que comia com fatias generosas de manteiga Primor, e bolos, a maior parte das vezes, o lencinho, ou pelo menos é desse que me lembro mais. Entretanto, com a abertura do primeiro Continente mesmo nas traseiras, começaram a chegar iogurtes linha zero (eram os meus preferidos!, porque achava menos doces;  hoje fujo de tudo o que seja light!), cola-cao, salames de chocolate (a dor de barriga que apanhei…). Comia sempre muita fruta e, na época do tomate, comia-os como maçãs! (Ainda hoje é assim!) o leite vinha numa leiteira de alumínio, que trazíamos da casa do meu tio António, um dos 6 irmãos da minha avó. De lá também vinham frutas e legumes. Quando passei a viver em Gaia, a minha avó passou a saber-me aos rissóis de carne da Tamisa, aos morangos da Praça de Lisboa (alguém se lembra onde era? ☺️), às broas de Páscoa cozidas sobre uma folha de couve que nunca mais comi. Ah!, também me sabe ao primeiro queijo fresco que comi, e detestei!, na rotunda da Boavista! Hoje gosto muito, por isso vale sempre a pena ir experimentando o que pensávamos não gostar.
    A minha avó sabe-me a tudo o que me apetecia comer. 
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    Hoje, com dois malabaristas-zaragateiros tão pequenos, confesso que me preocupo com a sua alimentação. Nada de muitos radicalismos, tentando sempre proporcionar-lhes variedade. Já me apercebi, pelas conversas com amigos e até com a pediatra, que eles comem melhor que a maioria dos miúdos, pelo menos por agora. E, ultimamente, muitas vezes me perguntam, por mensagem ou pessoalmente, o que comem os meus filhos. Pois bem, comem o que nós comemos. Ao almoço, sempre que consigo, estamos os três à mesa; ao jantar, se o Pedro se atrasa, dou-lhes primeiro a sopa e depois comemos os 4 juntos. Para os lanches, vou alternando: papas de aveia com bebida vegetal de aveia e fruta, fruta e pão, queijo fresco e pão, iogurte natural não açucarado. Depois de passarem a barreira do primeiro ano, tudo se tornou mais fácil. Ando quase sempre com fruta, pão e iogurtes, mas se não tiver, a qualquer momento compro em qualquer lado, porque comem qualquer fruta e não estranham marcas de iogurte. Esta semana, ao lanche, comeram um queque de aveia e banana que fiz durante a preparação de um workshop e ficaram felizes da vida (embora não tivesse ponta de açúcar!).
    Isto tudo para dizer que, embora os garotos cá de casa não comam iogurtes para crianças, nem cerelac, bolacha Maria ou bolos da confeitaria, não deixarão de construir as suas memórias, de guardar no seu coração tudo aquilo que vão apreendendo do que vivem, a cada dia. Nem vão deixar de gostar deste ou daquele porque em vez de pão vem uma fatia de bolo. Porque eles não sabem, ainda, o que é o bolo, não são “coitadinhos” porque só comem pão simples ou iogurtes azedos. São crianças felizes que comem o que os pais decidem. Ou seja, o que achamos ser o melhor para eles.
    E se não faz falta, se já são tão felizes, não há motivo para mudar agora. ❤️